quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A LUDICIDADE COMO ESTRATÉGIA DE ENSINO NAS AULAS DE JUDÕ PARA CRIANÇAS

Este artigo baseia-se em uma pesquisa descritiva acompanhada de observações de aulas realizada pelo autor que objetivou estudar a utilização do lúdico no processo de aprendizagem de judô com crianças na faixa etária de 4 à 12 anos.


FONTE: FEDERAÇÃO DE JUDÔ DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

A Educação Física no Brasil recebeu o reconhecimento de sua importância por parte do governo federal pelo Decreto Lei 1212/39, que abriu oficialmente no Brasil o curso de Educação Física e, é reafirmada pela na LEI Nº 9.394 /96 de 20 de dezembro de 1996 que estabelece  “ As Diretrizes e Bases da Educação Nacional  (LDB)” ,  nos seguintes artigos:

Art. 26, parágrafo 3º - “A educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular da Educação Básica, ajustando-se às faixas etárias e às condições  da população escolar, sendo facultativa nos cursos noturnos.

Art. 27, inciso IV - “promoção do desporto educacional e apoio às práticas desportivas não-formais”

Art. 29  -  “ A  educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, completando a ação da família e da comunidade.”

Posteriormente a sanção da Lei nº 9696, de 1º de setembro de 1998, publicada no “Diário Oficial da União (D.O.U.)” em 02/09/1998 regulamenta a atuação do profissional de Educação Física e cria os respectivos conselhos federal e regional, determina em seu Artigo 1º, “o exercício das atividades de Educação Física e a designação de Profissional de Educação Física é prerrogativa dos profissionais regularmente registrados nos Conselhos Regionais de Educação Física”.

Os artigos transcritos acima não deixam dúvidas quanto a inter-relação da educação com a atividade física e da importância da formação universitária em Educação Física, para aqueles que trabalhem ou desejem trabalhar com o ensino e a promoção de atividades físicas.

 Realizar a promoção do desporto educacional para crianças, requer o uso da criatividade por parte dos professores, que deveriam atuar selecionando estratégias como os jogos infantis, visando o máximo da aprendizagem motora geral, ao contrário de encorajar o uso de gestos e posturas repetitivas que segundo Feijó (1992),

...obrigam todos os alunos, a despeito de suas diferenças somáticas e motoras, a  reproduzir os modelos impostos pelos professores e tal massificação mecanicista, além de produzir resultados discutíveis na saúde e no desenvolvimento motor das crianças, causam uma atitude de rejeição as “aulas de ginástica”.(p.17)

As atividades físicas, incluindo-se as modalidades de lutas, não podem e não devem ser efetuadas sem um comprometimento educacional voltado à promoção de um desenvolvimento integral dos seus praticantes. Alguns professores e/ou instrutores de judô parecem não aderir a esta tendência de promover o desenvolvimento globalizado de seus praticantes. É comum, no ensino do judô, a preocupação apenas com a formação física, técnica e tática, sendo as aulas reproduções dos padrões importados de metodologias que estão atreladas à cultura nipônica, trazida pelos imigrantes japoneses, como afirma Mesquita (1994),

O judô, que é um esporte fortemente influenciado pela autoritária cultura japonesa, não é exceção à essa regra. Um certo número de professores acredita que seus trabalhos ainda consistem apenas no adestramento físico-técnico e no disciplinamento autoritário que o judô traz de suas origens feudais, deixando de lado toda uma abordagem educacional que poderia auxiliar o aluno a  compreender criticamente a realidade social em que vive.  (p.1) .

O judô é reconhecidamente uma atividade física saudável, mas, contudo não deve ser esquecido o seu praticante e principalmente se ele for uma criança. Um ser humano que não expressa seus sentimentos e vontades espontaneamente, limitando-se apenas a realizar os treinamentos impostos pelos professores voltados unicamente ao adestramento físico, técnico e tático poderá estar se anulando como ser participante, criativo e produtivo da sociedade. O ideal seria o professor em suas aulas estar sempre atento aos anseios dos alunos, objetivando com isso mantê-los motivados e fazendo da prática do judô uma atividade saudável e principalmente prazerosa.

As aulas de judô que seguem rigidamente os padrões japoneses, e colocam a disciplina como o pilar magno de sustentação do ensino, podem não favorecer e até mesmo limitar a busca do prazer na realização da atividade.

O lúdico, como fator motivante de qualquer tipo de aula, seja ela desportiva ou não, é algo que surge com a corrente da Motricidade Humana, em Portugal, sobretudo na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa e na do Porto, havendo trabalhos publicados por Carlos Neto e Graça Guedes, que se fundamentam no conceito do lúdico defendido por Huizinga. No Brasil autores como: Batista (s/data), Tani e Colaboradores (1988), Ostrower (1996), Rosamilha (1979), Ribeiro (1994), Soares e Colaboradores (1992) e outros, relatam a importância do lúdico.

O judô infantil na atualidade ocupa uma posição de crescimento constante dentre as modalidades desportivas,  é sabido que o judô não possui uma metodologia específica de ensino para crianças, merecendo por isso maiores estudos visando atender esta população, seguindo a tendência da pedagogia moderna que prega a necessidade da motivação e da utilização do lúdico para o bem estar dos seres.

Devido ao fato de não se encontrar muitas citações sobre o lúdico como estratégia de ensino nas aulas de judô, espera-se que os resultados obtidos pelo presente estudo possam contribuir para reflexões e novas pesquisas sobre o tema de forma mais abrangente, e, se possível viabilizar uma atuação conjunta do ensino de judô, com a área de recreação e a partir daí os professores possam elaborar seus programas de aulas na tentativa de facilitar e tornar prazeroso o aprendizado de judô para crianças na faixa etária de 04 à 12 anos.

O pressuposto teórico do presente estudo se baseia na afirmação de Sheridan (1971),  
 Em suas brincadeiras, uma criança experimenta pessoas e coisas, armazena sua memória, estuda causas e efeitos, resolve problemas, constrói um vocabulário útil, aprende e adapta seus  comportamentos  aos hábitos culturais de seu grupo social. Brincar e tão necessário ao pleno desenvolvimento do organismo de uma criança, seu intelecto e personalidade , como alimento, abrigo, ar puro, exercícios, descanso e prevenção de doenças e acidentes para sua existência mortal contínua..  (p.11)

Histórico do Judô

A sociedade Japonesa no passado era dividida rigidamente em castas: o imperador, embora despido do poder temporal, era a mais alta personalidade, investido de poderes espirituais. A seguir, vinha o Shogun, uma espécie de regente, que exercia o poder de fato em virtude do seu poder militar. Os Daymios eram os senhores correspondentes  aos Barões medievais, e deles saía o próximo Shogun . Os Samurais, que constituíam cerca de 5% da população eram uma casta de guerreiros especializados a serviços dos Daymios. Em escalas inferiores vinham comerciantes e os servos da gleba.
A gênese do judô foi o Jiu-Jitsu, uma arte marcial milenar, praticada por séculos embora sob diferentes nomes, de acordo com a região e época.  Segundo Tegner (1969) apesar das divergências de teorias parece haver um acordo generalizado em que os pioneiros a usar técnicas de lutas desarmadas foram os monges chineses, para se protegerem de bandidos.  No que todos concordam “é que foi no Japão que a atividade medrou, tomou consistência, colorido próprio, evoluiu”  (SILVA, s.d. ,p.17).

Os Samurais eram guerreiros que dominavam as formas de lutas de mãos livres e de técnicas com as mais variadas armas como: a espada, o arco e flecha, o bastão, a lança entre outras, estavam intimamente ligados ao regime feudal japonês e vendiam seus serviços aos Daymios que melhores condições ofereciam jurando-lhes lealdade baseados no Bushido (Via do Guerreiro) onde uma de suas máximas diz “A desonra é como a cicatriz na  casca de uma árvore; longe de apagá-la , o tempo não faz se não aumentá-la cada vez mais.” (SILVA ,s/data, p.18).

Com a declaração de abertura dos portos japoneses em 1865, após a imposição do tratado de Comércio “PAZ E AMIZADE” pelo Comodoro Matthew Perry surgiu no panorama histórico uma transformação político-social denominada Restauração do Menji – “A RENASCENÇA JAPONESA” (1868), passando o imperador a assumir de fato o comando da nação, já que até então apenas exercia poderes espirituais como “Sumo Pontífice”  do Shintoismo. O Meiji (Imperador) dedicou a máxima atenção ao problema da educação, como afirma Silva (s/data):

... a grandeza  de uma pátria repousa na capacidade cultural e honorabilidade de seu povo.  ... Foi, portanto uma conseqüência do advento Menji o declínio do Jiu-Jitsu. Os intelectuais e a elite desinteressaram-se pela sua conservação, apaixonados pela cultura do ocidente; o seu ensino torna-se acidental e mercenário. As Forças Armadas atualizaram-se a modo ocidental e o abandonaram. (p.15).

A transcrição acima esclarece que com a influência ocidental, novos processos de ensino e novas técnicas foram adotados pelo povo japonês, que foi importando, copiando reproduzindo da maneira que podia os produtos e comportamentos da cultura ocidental, causando o declínio dos métodos indígenas e valorizando as novidades alienígenas. Quando o autor descreve “As Forças Armadas atualizam-se a modo ocidental” está se referindo principalmente ao aparecimento das armas de fogo que, para os grandes feudos constantemente envolvidos em lutas foi uma grande conquista reduzindo assim a importância do combate corporal e consequentemente a necessidade dos samurais e de seus serviços que eram dispendiosos demais para os feudos, já que os mesmos gozavam de privilégios dentro da sociedade nipônica.

Outro aspecto a ressaltar é o fato dos samurais desempregados “se lançarem pelos diversos países difundindo o Jiu-Jitsu de um modo perigoso e aventureiro....  Autodidatas, apenas meros executantes, improvisaram-se em mestres”  (SILVA, s/data, p.15). Nesta década um professor de letras e ciências estéticas e morais japonês chamado Jigoro Kano começou um estudo sistemático das muitas formas de lutas praticadas no Japão, descobrindo segundo Tegner (1969):

... que grupos de praticantes só conheciam e apreciavam uma forma de luta  desarmada , não tendo conhecimento de outros sistemas de lutas  e nem ao menos os apreciando ...   Esses grupos defendiam seu estilo próprio de luta , mais por ignorar outras técnicas, do que pela convicção  da eficácia de seu sistema. (p.16)

Jigoro Kano estudou com os melhores mestres do Jiu-Jitsu da época, onde uma de suas preocupações era preservar o prestígio das lutas tradicionais que estava sendo ameaçado pelo surgimento das armas de fogo.

Passado a onda de modernidade, antigos costumes voltam a ter seus valores reconhecidos, e o professor Jigoro Kano entendeu que o principal objetivo do Jiu-Jitsu não deveria ser a vitória a qualquer custo, mas sim a educação global do homem.

Segundo Gama (1986)

... Jigoro Kano era um jovem professor empenhado na busca de uma forma superior de Educação, imaginou as Artes Marciais como uma contribuição valiosa para o aperfeiçoamento do equilíbrio físico e espiritual do ser humano. Acha que é o momento de iniciar o seu moderno sistema de jiu-jitsu utilizando métodos racionais em benefício das pessoas, da sociedade e do país. Até então, no jiu-jitsu não haviam regras nem técnicas padronizadas; imperava o espírito do SHIN-KEN-SHOBU (lutar até a morte). A  finalidade das “academias” era formar combatentes. O mestre após pesquisas e experimentações  das antigas formas de jiu-jitsu , transforma-se num sistema educacional de ataque e defesa. Abandonou muitas técnicas por achá-las perigosas, pois o jiu-jitsu era praticado violentamente e os acidentes fatais não eram raros. (p.4)


Jigoro Kano passou vários anos estudando, avaliando, comparando, praticando e fez uma síntese das melhores técnicas de jiu-jitsu , formulou o princípio básico de seu método, a que denominou “Princípio da eficiência máxima”,  assim por ele expresso  :          “ qualquer que seja o objetivo, será melhor atingido pelo mais alto ou mais eficiente uso da energia física e espiritual, dirigida para a realização de um certo e definido  fim  ou propósito”.   Em fevereiro de 1882 criou uma nova arte chamada Judô, que literalmente significa “o modo suave”, estabeleceu normas para tornar o aprendizado mais fácil e racional; idealizou regras para um confronto desportivo, criando em um templo Budista, na cidade de Tóquio a primeira escola de judô chamada “KODOKAN”.

Em uma definição ampla o judô é a Via da Suavidade que conduz ao êxito em qualquer setor da vida; em sentido restrito o judô é um método de preparação física e moral com diversos aspectos: 1) de recreio (desportos), 2) de segurança individual (defesa pessoal), 3) de educação psiquico-somático (exercício físico motivado), 4) de segurança social (arte-marcial).

Gama (1986) descreve que sobre os aficionados do jiu-jitsu:

... ortodoxo da época se orgulhavam da especialidade e tradição de sua escola. Fator de emulação pertinaz e do amor-próprio excessivo, isso despertava o sentimento de competição, fomentado de vários modos , às vezes acompanhado de sentido negativo. A rivalidade entre escolas tornou costumeiros os “ENCONTROS” para decidirem o melhor entre os vários sistemas de cada facção. (p.5) .

Vários judocas foram desafiados para os “encontros” para testar o novo estilo, onde de acordo com Mesquita (1994) o mais célebre foi realizado pela polícia de Tóquio em 1886, e naquele momento ficou definitivamente constatado o grande valor do judô Kodokan. O mesmo autor citando Calleja (1982) esclarece que o resultado deste encontro constituiu-se decisivo para aceitação do judô pelo povo e oficialmente pelo governo japonês que transformou a Kodokan uma instituição pública em 1909, tornando o judô parte integrante dos currículos escolares, com isso o desenvolvimento do judô ganhou um reforço e se propagou rapidamente por todo o Japão.

Durante a II Grande Guerra Mundial, as autoridades japonesas reviveram as virtudes guerreiras da população e o espírito do antigo samurai é despertado em todas as camadas da população, então o que era uma prática desportiva com objetivo educacional,  passa a ser ensinado num verdadeiro espírito de guerra.
Mesquita (1994) citando Robert alerta para o fato que após a derrota dos japoneses, os aliados proibiram todas a atividades que se inspirassem no Bushidô (Espírito Guerreiro), e por volta de 1946, o judô começou a ser ensinado para os militares ocidentais em serviço no Japão e  estes militares ao retornarem aos seus países de origem serviram de semente reprodutoras, e com isso o judô ganhou o mundo rapidamente.

O judô chegou ao Brasil com os imigrantes japoneses e foi praticado inicialmente nas colônias agrícolas, e aos poucos o público brasileiro foi conhecendo e praticando este novo esporte. Dentro os esportes de luta, o judô foi o primeiro a ter sua própria confederação específica e sendo praticado em todos os segmentos da sociedade com grande apoio das autoridades governamentais da época. Segundo Mesquita (1994) o judô herdou do Jiu-Jitsu uma série de valores e atitudes reforçados pela cultura disciplinadora e fortemente hierárquica do povo japonês e ao chegar ao Brasil trouxe estes traços culturais, atravessou períodos políticos autoritários e recebeu grande apoio das forças armadas onde estes traços autoritários não foram questionados, pelo contrário, foram bem aceitos e incentivados.

O judô atravessou as fronteiras e marcou sua posição na história dos esportes, quando em 1964 foi realizado os XVIII Jogos Olímpicos onde o holandês ANTON GEESINK quebra a hegemonia nipônica e conquista o título de Campeão Olímpico.

De acordo com Gama (1986) a partir deste feito o Judô torna-se verdadeiramente parte integrante da Cultura Universal, como tanto desejara o Professor Jigoro Kano.


2-2 - A Influência da Cultura Japonesa
 
Para Mesquita (1994) o que se pode observar nas aulas de judô, é uma forma rígida nos padrões disciplinares.

 ... o professor confunde a sua autoridade de educador, que deveria ser uma ponte para o saber,com autoritarismo, que o coloca no alto de um pedestal onde o seu poder não é questionável. Obrigando assim o aluno a executar exatamente aquilo que lhe é mandado, tolhendo assim a sua liberdade de refletir e criar. Tudo em função do “ bom funcionamento das aulas” (p.4) .

Esta observação do autor revela que uma grande parcela de professores não se coloca como facilitadores na obtenção de conhecimento, isto é, buscando situações onde os alunos tenham liberdade de criar, pelo contrário se utilizam excessivamente do estilo de ensino “COMANDO”, que tem como característica básica o estímulo e resposta, onde todas as decisões são tomadas pelo professor, competindo ao aluno apenas realizar, seguir e obedecer, obrigado a executar exatamente aquilo que lhe foi imposto, sem oportunidade de questionamentos. A não utilização por parte do professor dos outros tipos de estilos de ensino, encontrados no espectro de Muska Mosston poderiam limitar sua atuação profissional.

Quais os aspectos no papel do professor no processo de instrução, que devem ser considerados como estratégicos para uma aprendizagem mais eficaz e eficiente?
O papel do professor no ensino de habilidades motoras envolve muitas responsabilidades distintas, estas requerem que o professor seja um planejador de instrução, um apresentador de informação, um avaliador do processo de ensino e acima de tudo um motivador. Se ele contraria estes aspectos e se coloca em um “pedestal”, ficará impossibilitado de exercer sua função de uma forma plena.
Em relação ao fato de utilizar-se da ludicidade nas aulas de judô Duncan (1979) em seu livro “Judô para Crianças” orienta:

A ginástica de aquecimento pode ser praticada incluindo pequenas brincadeiras e jogos, mas não devemos deixar jamais que o JUDÔ recreativo penetre no espírito do adolescente, a disciplina, humildade, modéstia e respeito aos mestres não devem ser esquecidos jamais. (p. 13)


Esta transcrição parece sintetizar o pensamento e conduta de uma considerável soma de professores de judô, que aparentemente “vestem” a armadura de Samurai, incorporam o “Bushidô” e ensinam o judô da mesma maneira que se ensinava no século passado, onde a ludicidade não estava em sintonia com o objetivo de formar “lutadores”.

Talvez pelo fato do judô ter sua fase pioneira no Brasil um domínio absoluto dos japoneses, esses professores orientais não trouxeram para o Brasil somente a prática do judô, atrelados a ela, vieram seus costumes e tradições culturais. É comum referi-se ao Dojo que na tradução literal significa “local sagrado de aprendizagem”, como um local “santo” ao qual se deve ter verdadeira veneração e respeito.  Há alguns professores que exageram em seus pensamentos e acreditam que o Dojo  é  uma “sala de meditação onde deve-se criar uma atmosfera de seriedade” (GALAN,1971, p.6). É também o “reduto, o templo sagrado onde praticamos e sempre reverenciamos a imagem do SHIHAN”.(GAMA, 1986, p.40), estas citações revelam o clima religioso e sério embutido na pratica do judô e assimilado de forma dogmática por gerações de professores até os dias atuais. 

Em relação ao comportamento dos alunos no Dojo, alguns professores recomendam ao judoca “não falar em voz alta sobre o tatame” (GALAN, 1971, p.12), Virgilio condena “as instalações onde o desleixo nos entra pelos olhos logo ao primeiro contato, onde a falta de ordem, a gritaria impressiona pessimamente” (p. 67). Alguns autores justificam os climas sérios, disciplinados da doutrina do “bom comportamento” através da preocupação com a segurança dos alunos, Reay (1990) determina:

Não haverá conversa ou gritos durante os randoris, nem se deverá falar durante a instrução. O sinal de submissão do judo a uma chave de braços ou estrangulamento é uma ação específica de bater no chão.  ...  se aos alunos fosse permitido gritar durante os treinos a classe não reagiria quando o instrutor tivesse de dar uma ordem repentina, numa emergência  (p.24) .
               
Mesquita (1994) contestando esta justificativa afirma que este argumento não se sustenta, pois por ele se teria que impedir que “crianças e jovens não dessem gritos quando manifestassem grande alegria ou outros sentimentos”. (p.8)

Como propiciar um ambiente que favoreça o aprendizado do judô conjuntamente com o desenvolvimento globalizado de seus praticantes? Se para alguns professores que geralmente tem em mente o modelo de bom aluno aquele que  corresponde à criança que nunca pergunta, não reclama, sempre aceita o que o professor diz, não conversa e nem fica de pé durante a aula, em suma um aluno autômato e submisso.

Será que ocorre em toda a sua plenitude o processo ensino-aprendizagem em aulas de judô ministradas com essa filosofia? Essas aulas seguem as tendências modernas da Educação Física Brasileira? Onde a Educação Física para Ferreira (1997) é movimento, é agir com, pelo e através do corpo, é interagir no mundo com ele. É falar de corpo, de movimento, é falar de psicomotricidade, é perceber a relação que existe entre essas duas áreas do conhecimento humano.

Segundo (FACHADA, 1997) é importante a elaboração de uma teoria psicológica que estabeleça relações entre o comportamento, o desenvolvimento da criança e a maturação do seu Sistema Nervoso Central (S.N.C), pois só através destas medidas se podem construir estratégias educativas, terapêuticas e reabilitivas adequadas às suas necessidades específicas. A psicomotricidade, desta forma, traduz  a solidariedade entre a atividade psíquica e motora.

Se não favorecermos o processo de desenvolvimento dos alunos, eles não podem “agir com, pelo e através do corpo”, se as aulas tradicionais a que são submetidos não favorecem este objetivo.
Para Mesquita (1994) o judô traz de seus primórdios estas formas autoritárias e doutrinárias, que o sistema japonês na época exigia “o sacrifício e a obediência sem contestação, para que a ordem e a disciplina fossem sempre mantidas”.(p.6)

O trecho “a obediência sem contestação” reforça o conceito de disciplina, conceito esse que é largamente exigido a um “bom judoca” como fica evidente na afirmação de Virgilio (1980):

... é lamentável que esse mesmo progresso não tenha sido registrado também  nos conceitos de disciplina, respeito e fraternidade. Conceitos esses indispensáveis aos judocas e dada a seriedade com que devem ser tratados, também determinam que uma nova revisão seja feita no contexto do nosso judô Esses valores tem sido negligenciados, esquecidos e abandonados por grande parte de nossas academias, por professores, principalmente os mais novos . Estes são mais suscetíveis às influências de outros esportes menos rígidos na observância desses valores e também, das condições atuais de vida, quando esses valores, já não são  colocados no destaque que merecem no conceito cívico e desportivo.  (p.61).

O autor acima requer uma revisão no contexto do judô, pois acha que os conceitos disciplinares estão sendo abandonados pelos novos professores que sofrem “influências de outros esportes”. O que se observa é o desejo do autor em manter as formas tradicionais do judô sem uma devida evolução e consequentemente uma reestruturação do sistema de ensino, como é de se esperar de qualquer atividade que queira cumprir seu papel na formação de seres plenos física, psicológica e intelectualmente.

No entanto não se pode negar a importância da seriedade como fator educacional, seriedade essa necessária ao processo de ensino, onde a disciplina é utilizada como um conjunto das prescrições ou regras destinadas a manterem a ordem e regularidade do objetivo traçado. A disciplina deve existir nas aulas de judô, mas não de uma forma tirana e castradora, como se observou anteriormente nas várias transcrições de diferentes autores.


2.3 – Espaço x Criança

Atualmente, na sociedade moderna, não sabemos se o espaço é de convivência ou de individualismo. Velasco (1977) afirma:

... as cidades parecem um mosaico: número incontável de indivíduos que correm e se acotovelam em todos os espaços. No entanto cada um faz, pensa, fala e age a sua maneira, diferente dos outros. Poucos se lançam criativamente a construir um espaço humano, solidário, um espaço para a convivência.” ( p.20) .


Onde ficam as crianças neste contexto?  O mesmo Velasco (1977) esclarece:
A realidade infantil é constituída de magia. O jogo, as brincadeiras e o faz-de-conta para as crianças são como os sonhos para os adultos. Isso que a criança brinca é coisa séria, é como a criança constrói a si mesma, a sua identidade e o mundo que a rodeia. Ela precisa de espaço e tempo para esse “crescer”. (p.20)


Para Miranda (1983) o brincar para a criança é coisa séria, aquele que os proíbe, proíbe os meios de desenvolvimento físico, superiormente fornecido. A atividade dos jogos para os quais os instintos nos impelem é essencial ao bem-estar do corpo, a construção da personalidade e ao conhecimento do mundo externo e interno. Portanto é de suma importância a criação de espaços onde as crianças possam se relacionar, aprender, criar e principalmente brincar.

O que impede os professores de judô de criarem em suas academias esse espaço? Este impedimento poderia estar relacionado à antiga visão formalista e autoritária do judô, ainda não bem refletida e analisada pelos atuais professores.

A formação de “combatentes” era a função das “academias” da época, lamentavelmente observa-se atualmente que alguns professores continuam com este firme propósito de formar “samurais”, isto é formar guerreiros que representem suas academias, clubes, escolas etc. em campeonatos de judô, com o objetivo único e exclusivo de conquistar uma medalha e/ou troféu que representará o quanto sua agremiação perante as outras é a mais “forte”, e conseqüentemente sua atuação será “valorizada” e sua “competência” como professor será confirmada e elogiada.

2.4 – Motivação x Aprendizagem

Baseando-se no capítulo anterior verificamos que a palavra disciplina tantas vezes citada é conceituada como: “Submissão do discípulo à instrução e direção do mestre;  Respeito à autoridade ; observância de método, regras ou preceitos” (AULETE ,1986, p.485).  Por de trás dessa “disciplina” ocorre uma grande influência no comportamento dos alunos segundo Mesquita (1994)  que cita:

... as aulas de judô fundamentadas em modelos autoritários não produzem apenas aprendizado de técnicas, mas também influenciam no comportamento dos alunos, pela punição, hierarquização e adestramento. Esses modelos tornam o processo pedagógico autoritário, tirando muitas vezes o prazer do aprendizado, o que pode acarretar até no abandono da atividade pelo aluno. (p.26).

Analisando a citação acima, fica evidente que a ausência do prazer na realização das atividades é prejudicial ao processo ensino-aprendizagem, podendo até mesmo acarretar no abandono da atividade.

Na concepção de Rizzo Pinto (1997) o ato motor é capaz de dar prazer ao homem, “mas não aquele que o fadiga e oprime na relação escravizante de um trabalho mal-remunerado,, nem a repetitiva execução de gestos fatigantes, resultantes das ações ditas “pedagógicas”      ( Em sua maioria realizadas com o aluno sentados)” (p.193)

Estas atividades não dão prazer e nem constróem um saber ou hábitos morais válidos para a criança. Seria necessária uma maior reflexão quanto às metodologias e estratégias de ensino do judô, pois da mesma forma que a Educação Física sofre constantes mudanças, o judô não pode se manter na retaguarda e fora dessa evolução, acreditando que possui apenas como tarefa principal o desenvolvimento muscular e estético, provocando a execução de exercícios através da mecanização e do adestramento do movimento.

Um profissional que atue em área ligada à atividade física pode e deve propiciar aos indivíduos experiências corporais mais ricas, que auxiliem o seu crescimento, nesta relação tão necessária do corpo com o meio e com o outro, “derivando numa progressão harmônica, e tão necessária ao equilíbrio humano”.(FERREIRA, 1997, p.10).

Rizzo Pinto (1997) também declara que não há aprendizado sem atividade intelectual e sem prazer, “não há aprendizagem seja no terreno da educação, seja no da reeducação, sem o lúdico, e este está distante de nossos procedimentos didático-pedagógicos, em que a corporeidade e desconsiderada”.(p.336)
Se não há aprendizagem sem o lúdico, a motivação através da ludicidade parece ser uma boa estratégia para auxiliar na aprendizagem como podemos observar na afirmação de Mednick (1983):

É evidente que precisamos de ambas as coisas, aprendizagem e motivação, para o desempenho de uma tarefa. A motivação sem aprendizagem redundará, simplesmente, numa atividade à cegas; aprendizagem sem motivação resultará, meramente em inatividade, como o sono.(p.21).

A compreensão e o uso adequado das técnicas motivadoras podem resultar em interesse, concentração da atenção, atividade produtiva e atividade eficiente de uma classe, para Campos (1986) a falta de motivação conduzirá a aumento de tensão emocional, problemas disciplinares, aborrecimentos, fadiga e aprendizagem pouco eficiente da classe.

Rizzo Pinto (1997) questiona “Por que não se servir do jogo, em suas múltiplas utilidades, para facilitar a aquisição de novos símbolos, de novos conhecimentos?”

Aprendizagem de um ponto de vista funcional é a modificação sistemática do comportamento que ocorre como um resultado da prática e constituindo uma transformação relativamente permanente. A ludicidade poderia ser a ponte facilitadora dessa aprendizagem se o professor de judô pudesse repensar sobre sua forma de ensinar relacionando-a com a nova tendência  da Educação Física.
Segundo Fachada (1997) autores como Piaget e Vigotsky entre outros vieram contribuir no estudo sobre o desenvolvimento do intelecto através do movimento, levando em consideração as teorias do construtivismo e da relação sócio-interacionista respectivamente.

É importante que o professor de judô tenha uma visão humanista e progressista da Educação Física contemporânea, assumindo um papel mais amplo, papel esse de educar e promover o desenvolvimento do educando, estimulando as três áreas inerentes aos comportamentos da natureza humana, segundo a visão pedagógica: Cognitiva, Afetiva e Psicomotora. De acordo com Fachada (1997) atualmente considera-se um curso de Educação Física bem equilibrado, quando ele contém em seu planejamento objetivos comportamentais relacionados com todos os três domínios isto porque se pretende através da atividade física fazer com que os alunos desenvolvam-se integralmente. Segundo Ferreira (1997) é dever do professor favorecer ao homem o seu conhecimento, não só a nível motor, mas em âmbito integral, enquanto ser pensante dotado de emoções, e que interage com o todo social no desenvolver de suas funções, desde as mais elementares até as mais superiores.

Para Campos (1986) tanto os comportamentos aprendidos como os não aprendidos são da maior importância no desenvolvimento dos organismos vivos. Parece claro que o comportamento superior do adulto depende fundamentalmente da experiência na infância e, é papel do educador propiciar “todos os meios a seu alcance para o aproveitamento mais adequado e eficiente de todo o potencial hereditário de cada indivíduo” (p.27).

A ludicidade não se adequaria nessa busca dos meios mais adequados e eficientes para o desenvolvimento dos alunos?

Para Sheridan (1971) é de importância primária o oferecimento de brinquedos, espaços para brincar, tempo para brincar e companheiros de brincadeiras a todas as crianças, e particularmente a crianças deficientes que não tem sua própria assistência.

Teixeira (1970) conceitua recreação como:

...atividade física ou mental, a que o indivíduo é naturalmente impelido, para satisfazer necessidades físicas, psíquicas ou sociais, de cuja realização lhe advém  prazer. (p.56)...  é tudo que distrai, diverte, fugindo ao comum daquilo que se faz ordinariamente. O normal da criança é, e sempre foi, brincar (p.32).

Motivar seria a palavra chave para o aprendizado? O que é motivo? Etimologicamente a palavra motivo vem do latim “movere, motum” e significa aquilo que faz mover, em conseqüência motivar significa provocar movimento, Campos (1986) define motivo como:

... um constructo hipotético, lógico dedutivo, que se baseia em várias condições antecedentes, um recurso de que o cientista se vale para preencher lacunas no campo da observação, para facilitar uma explicação adequada daquilo que se está produzindo na área da conduta.

A motivação do aprendizado através da ludicidade combateria o tédio de aulas pré-moldadas e repetitivas?

De acordo com Mednick (1983):

Os animais procuram mudanças de estímulo; as pesquisas sobre o tédio provocado por respostas sempre iguais tendem a realçar como fator crítico a fadiga ou a necessidade de repouso. ... É evidente, existe algo mais   responsávelpelo tédio do que a simples fadiga. Porém isso não nega o desenvolvimento do tédio; a sua importância para a aprendizagem nunca será por demais realçados. Todos somos lamentáveis testemunhas da necessidade de repetição no material de aprendizagem, de qualquer grau de complexidade. A aprendizagem seria grandemente facilitada se os efeitos da monotonia da resposta pudesse ser reduzidos. ...  o maior espaçamento entre itens e entre repetições separadas, produz menos erros e melhor aprendizagem.

O autor acima concorda com a necessidade de repetição no material de aprendizagem em qualquer grau de complexidade, mais também defende a teoria que a aprendizagem seria facilitada se a monotonia da repetição pudesse ser reduzida, talvez com um maior espaçamento entre itens e repetições das atividades.

O tédio provocado por respostas sempre iguais é um fator prejudicial à aprendizagem, portanto a alternância entre a aprendizagem de algum fundamento técnico e a realização de atividades lúdicas, poderiam contribuir para criar o espaçamento necessário entre as atividades e, consequentemente  melhorar o processo de aprendizagem.

Velasco (1997) afirma que observar crianças brincando é uma oportunidade privilegiada para tentar compreender o fenômeno do sensível e do inteligível. “A criança brincando não é sensível nem tão pouco inteligível – é motricidade”.(p.17).

Para o autor referenciado acima somos seres motores em corpos locomotores que pela capacidade existimos e pela motricidade nos humanizamos. A motricidade não é um movimento qualquer, é expressão humana, os seres humanos são locomotores, diferentes dos vegetais, que onde nascem permanecem.

Platão citado por Rizzo Pinto (1997) preconizava a importância de se manter a criança em constante movimento:

... até os seis anos, a criança entrasse em atividade lúdica espontânea ... crianças devem manter-se em movimento constante e, de modo nenhum, se deve obrigá-las a  ficarem quietas. Isto é contrário à natureza da criança que, a rigor, deveria mover-se ritmicamente dia e noite, como se estivesse num barco (p.158).

Qual a melhor maneira de se manter uma criança em movimento constante, que não seja através do brincar?

Sheridan (1971) define brincadeira como o envolvimento ansioso em esforço físico ou mental agradável para obter satisfação emocional e conclui:

... em sua  brincadeiras, uma criança experimenta pessoas e coisas, armazena sua memória, estuda causas e efeitos, resolve problemas, constrói um vocabulário útil, aprende a controlar suas reações emocionais centralizadas em si própria e adapta seus comportamentos aos hábitos culturais de seu grupo social. Brincar é tão necessário ao pleno desenvolvimento do organismo de uma criança, seu intelecto e personalidade, como alimento, abrigo, ar puro, exercícios, descanso e prevenção de doenças e acidentes para sua existência mortal contínua. (p.11).

O autor acima enfatiza a importância do brincar tão necessário ao pleno desenvolvimento do organismo de uma criança, seu intelecto e personalidade, como alimento, abrigo, ar puro, exercícios, descanso e prevenção de doenças e acidentes para sua existência mortal contínua. Brincar, portanto é fundamental para um desenvolvimento pleno do ser humano.


2.5 - A Ludicidade, a Criança e o Judô


Comentando a transcrição abaixo de Huizinga, Rizzo Pinto (1977) chama atenção para o fato de que atualmente o aspecto lúdico estar adquirindo um caráter extremamente passivo, o autor reforça a importância do “Fazer para viver, educar-se em lugar de torcer” sugerindo a utilização da atividade motora que caracteriza a infância: os jogos. 

... a grande via é o uso dos símbolos e a sua aplicação educacional pela motricidade, pela atividade motora mais típica e característica do homem, principalmente da infância: os jogos. (p.319) ... o homo-ludens é reconhecido em toda a história da humanidade e, esta atividade lúdica, em suas diferentes formas, sempre esteve presente na história da humanidade. Nos dias atuais, contudo, o lúdico tem adquirido um contorno passivo, que é preciso ser alterado para a atividade. “ Fazer para viver, educar-se em lugar de torcer”, deveria ser um lema a ser cultivado pelo homem moderno. ( p.320).


Feijó (1992) buscando a gênese da palavra lúdico relata: O lúdico tem a origem na palavra latina “ludus”, que do ponto de vista etimológico, “ludus” quer dizer “jogo”, mas se ficasse confinado somente à sua origem, o termo lúdico estaria se referindo apenas ao jogar, ao brincar, ao movimento espontâneo. O lúdico extrapola esse conceito, o lúdico é uma necessidade básica da personalidade, do corpo e da mente, segundo o mesmo autor o lúdico faz parte das atividades essenciais da dinâmica humana. A atividade lúdica caracteriza-se por ser espontânea, funcional e satisfatória, onde nem todo lúdico é esporte, mas todo esporte deve ser integrado no lúdico. O esporte antes de ser competitivo é cooperação e visa o benefício de todos, incluindo-se aqueles com poucas habilidades motoras. Portanto apesar de atividade organizada, a matéria-prima do esporte deve ser o movimento espontâneo, funcional e satisfatório.

É importante ao profissional que trabalhe com crianças atentar para os períodos de desenvolvimento humano segundo Piaget, conhecendo as características comuns de uma determinada faixa etária com a qual se pretenda atuar, objetivando assim o desenvolvimento de um trabalho consciente, funcional e satisfatório.

Deveria também o professor observar os aspectos físicos, intelectuais, afetivos e sociais de seus alunos, respeitando sempre a individualidade de cada um e, principalmente atentando para o fato de que a criança não é um adulto em miniatura e consequentemente não deverá ser exigido dela um comportamento além de suas capacidades.

É comum o “professor/técnico” na ânsia de obter “resultados satisfatórios” exigir uma performance exagerada de seus alunos, não atentando para os direitos da criança no esporte, esquecendo-se que acima de tudo vem o questionamento sobre a sua função de educador, que é propiciar o que na realidade a criança esta buscando, isto é, praticar um desporto que lhe traga benefícios físicos, mentais, sociais e principalmente alegria.   

Várias citações foram transcritas no decorrer deste capítulo de diferentes autores, onde relatam a importância da ludicidade, da motivação para a aprendizagem:

-                   “O normal da criança é, e sempre foi brincar” (TEIXEIRA,1970);

-                   “O brincar para a criança e coisa séria, é como a criança constrói a si mesma”.(VELASCO, 1977);

-       “Precisamos de ambas as coisas, aprendizagem e motivação para o desempenho de uma tarefa” (MEDNICK, 1983);

-       “Não há aprendizado sem a atividade intelectual e prazer... Não há aprendizagem sem o lúdico...  Por que não se servir do jogo, em suas múltiplas utilidades, para facilitar a aquisição de novos símbolos, de novos conhecimentos ?” (RIZZO PINTO,1977).

A análise destas frases justificaria um maior estudo sobre o uso da ludicidade como estratégia de ensino nas aulas de judô para crianças. É notória a popularidade do judô como desporto e como atividade educacional, também é notório que a utilização do lúdico como estratégia de ensino é eficiente e altamente recomendado principalmente no trabalho com crianças. Porque não unir o judô ao lúdico?

De acordo com Feijó (1992) “nem todo lúdico é esporte, mas todo esporte deve ser integrado do lúdico”, segundo o mesmo autor o esporte antes de ser competitivo é cooperação e visa o benefício de todos, incluindo-se aqueles com poucas habilidades. Esta afirmação reforça uma característica do esporte, que é a inclusão de todos que buscam praticar uma atividade física de maneira segura, prazerosa independentemente de buscar resultados competitivos.

O professor de judô deveria questionar-se quanto à sua postura e conduta em relação ao objetivo prioritário de proporcionar aos praticantes de judô um desenvolvimento globalizado e não apenas físico-técnico. Com essa atitude o professor estará realizando plenamente o papel de um verdadeiro educador, que objetiva através do seu conhecimento a promoção na melhoria da qualidade de vida dos nossos semelhantes, atentando principalmente para o fato de que uma criança não é um pequeno adulto e muito menos uma máquina que deve ser ajustada para obter resultados desportivos, ela é um ser humano que está em plena formação e que possui sentimentos, anseios e vontades, portanto requer muita atenção, dedicação, carinho e respeito para que se tornem no futuro seres humanos verdadeiramente humanos isto é, seres conscientes de seus direitos e deveres e que utilizem todo o conhecimento e experiências adquiridas ao longo dos anos de convivência com o judô na contribuição para a perpetuação de um mundo melhor.


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AUTOR: Prof. Francisco Grosso


Profissional de Educação Física (UCB) CREF  n°005258-G/RJ
Ms em Ciência da Motricidade Humana (UCB)
Pós-Graduado em Treinamento Desportivo Especialização em Judô (UFRJ/CCFEX/FJERJ)
Pós-graduando em Anatomia Humana e Biomecânica (UCB)
Professor Titular da Disciplina Anatomia Humana Aplicada ao Desporto (UNIABEU)
Professor de Judô Faixa Preta 4° DAN
Membro do Corpo Docente da Comissão de Graus da FJERJ

PRESIDENTE DA FPJ COMENTA INCIDENTE DO FIM DE SEMANA EM BOTUCATU

Sensibilizado com o apoio incondicional dos delegados regionais que, no último fim de semana assinaram carta repudiando atitude intempestiva do representante da CBJ durante o exame de graduação, em Botucatu, Francisco de Carvalho Filho, presidente da Federação Paulista de Judô, na manhã de hoje, declarou: “Não poderia esperar outra demonstração de união e carinho daqueles que ajudam a fazer de São Paulo uma referência nacional e internacional. No entanto, acho que, resfriados os ânimos, agora a hora deve ser de reflexão. De refletirmos sobre o porquê esse tipo de coisa, infelizmente, ainda ocorre no nosso meio. Sempre reconhecemos a importância dos verdadeiros kodanshas e toda a comunidade judoísta de São Paulo sempre se espelhou neles. E digo mais: nenhum estado tem um Kodansha-Kai (Associação de Kodanshas) como o paulista. Sabemos que ninguém é perfeito e erros acontecem. Por isso, devemos tomar muito cuidado sempre que kodanshas estiverem envolvidos. Eles devem ser protegidos, jamais usados como ferramenta política”.

FONTE: FEDERAÇÃO PAULISTA DE JUDÔ

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Seleção chega ao Japão para a disputa do Grand Slam de Tóquio


O judô brasileiro já está em Tóquio, onde disputa a partir deste sábado a etapa japonesa do Grand Slam. Nesta quinta-feira a equipe faz uma pesagem com a nutricionista Gisele Lemos e depois treina no Instituto Kodakan. Na sexta-feira acontece o sorteio das chaves da competição.

"O Grand Slam do Japão é sempre uma competição forte, já que os donos da casa entram com quatro equipes. Mas estamos confiantes para fecharmos o ano com bons resultados. Além disso, a qualidade do treinamento é altíssima", conta a técnica da seleção feminina, Rosicléia Campos.

A seleção será representada no Grand Slam de Tóquio por Sarah Menezes (48kg), Érika Miranda (52kg), Ketleyn Quadros (57kg), Rafaela Silva (57kg), Mariana Silva (63kg), Mayra Aguiar (78kg), Maria Suellen Altheman (+78kg), Leandro Cunha (66kg), Bruno Mendonça (73kg), Leandro Guilheiro (81kg), Tiago Camilo (90kg), Luciano Corrêa (100kg), Rafael Silva (+100kg) e Daniel Hernandes (+100kg).

O Grand Slam de Tóquio faz parte do Circuito Mundial da Federação Internacional de Judô e conta pontos para o ranking mundial e olímpico da modalidade. A medalha de ouro vale 300 pontos, enquanto a prata garante 180 pontos na lista e o bronze 120.

FONTE: NOTÍCIAS CBJ

JUDÔ EM SUAS DIMENSÕES INTELECTUAIS, MORAIS E FÍSICAS: UM COMPONENTE VALIOSO PARA O PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

Élen Vilarino Queiroz
Lucas Gomes
Orientador: Neilon Carlos Santos

Resumo

O presente artigo aborda o Judô como conteúdo da Educação Física escolar e ressalta suas contribuições no processo de ensino-aprendizagem. A Educação Física escolar deve proporcionar aos alunos conhecimentos que vão além do prático, que englobem saberes acerca da construção moral e intelectual dos alunos. As lutas são conteúdos propostos a serem desenvolvidos na disciplina de Educação Física e esta luta, criada por um professor, conhecedor do processo educacional e comprometido com a formação das pessoas, vem ao encontro do que se espera alcançar, pois possui aspectos relevantes que abragem dimensões procedimentais, conceituais e atitudinais.

Palavras-Chave: Judô, Educação Física escolar, formação.

Abstract

The present article of approaches the Judô as content of the pertaining to school Physical Education and standes out its contributions in the teach-learning process. The pertaining to school Physical Education must provide to the pupils knowledge that go beyond the practical one, that they enclose to know concerning the moral and intellectual construction of the pupils. The fights are considered contents to be developed in discipline of Physical Education and this fight, created for a professor, expert of the educational and compromised process with the formation of the people, come to the meeting of what it expects to reach, therefore possess excellent aspects that enclose procedural, conceptual and attitude dimensions.

Word-Key: Judô, School Physical Education, formation.

Introdução

Da construção de corpos saudáveis para defender o país à preparação de novas gerações que elevassem o esporte brasileiro em âmbito mundial, a Educação Física visava no geral à aptidão física das pessoas. A partir da década de 1980 as visões e concepções começaram a mudar. Tais mudanças vieram para contribuir com o processo de ensino aprendizagem na escola, rompendo com a valorização excessiva do desempenho como objetivo único (DARIDO, 2003).

Surgiu então um novo contexto na Educação Física escolar, onde novas perspectivas pedagógicas seguindo abordagens de diversos estudiosos da área instalaram-se e ganharam força, tendo assim, inúmeros seguidores.

Os conteúdos da Educação Física enquanto prática pedagógica passaram então a englobar jogos diversos, esportes, lutas, danças e ginástica, adquirindo a partir do novo contexto aspectos que utilizam-se destes conteúdos para abordarem questões sociais, morais, éticas, intelectuais. Independente do conteúdo escolhido, entende-se que o processo de ensino e aprendizagem deve seguir uma linha de ação estratégica que contemple a formação do aluno como um todo, orientando-o no seu desenvolvimento como cidadão (BRASIL, 1997).

Dentro do conteúdo de lutas, ressaltamos neste estudo o Judô, uma forma de combate sistematizada e organizada que possui aspectos particulares e relevantes no seu caráter filosófico e técnico que podem contribuir com a formação dos praticantes, não somente como esportistas, mas como pessoas equilibradas e de bem. Sendo assim, destacamos esta luta como um conteúdo enriquecedor dentro da Educação Física escolar. A filosofia de ensino e prática do Judô abrange características morais, intelectuais e físicas, fazendo com que a luta não seja apenas uma prática física, mas sim uma fonte de aprendizagem e desenvolvimento humano. Sua prática pode acrescer novos valores aos alunos praticantes, além de oferecer-lhes um vasto repertório de movimentos corporais.

Ao longo do Ensino Fundamental, fase escolar que terá mais ênfase neste estudo, espera-se que os alunos, orientados pela disciplina de Educação Física, sejam capazes de: participarem de atividades corporais, manterem atitudes de respeito e repúdio a violência, aprenderem com a pluralidade, praticarem atividades de forma equilibrada e desenvolverem espírito crítico (BRASIL, 1997), o Judô pode perfeitamente enquadrar-se neste contexto, auxiliando assim na obtenção dos objetivos propostos e condizendo com a perspectiva pedagógica da escola, sendo o objetivo deste trabalho de revisão bibliográfica, ressaltar como esta luta, fazendo parte do conteúdo da Educação Física, pode ser uma ferramenta pedagógica de suma importância que contribuirá com o processo de ensino-aprendizagem na escola.

Judô: raízes e criação – um breve relato

O Judô é uma arte marcial com raízes nipônicas criada em 1882 pelo professor Jigoro Kano. Homem de baixa estatura, franzino e pouco avantajado fisicamente, desenvolveu um estilo de luta a partir do Ju Jitsu, eliminando os golpes mais lesivos como socos e pontapés (SHIOZAWA, 1999). Kano formou se na Universidade Imperial de Tóquio em Letras e Ciências Estéticas e Morais, o que sem sombra de dúvidas foi de extrema importância para criação de uma modalidade de luta sistematizada e metodológica. No mesmo ano em que se formou, Jigoro Kano fundou o Instituto Kodokan (Escola para o estudo da vida).

Iniciou com poucos alunos, mas logo foi crescendo e ganhando destaque devido a inúmeras vitórias conquistadas em combates até mesmo contra adversários de outras modalidades e de porte físico mais avantajado. A luta na qual pessoas aparentemente mais frágeis venciam outras mais fortes, foi ganhando destaque e se difundindo em várias partes do mundo.
A luta criada por Kano tinha como finalidade a formação de indivíduos pacíficos e equilibrados, diferentemente dos objetivos das formas de combate da época que buscavam a formação de guerreiros. Criou-se a partir daí não só uma luta pura e simples, mas uma filosofia de vida, ou seja, a luta em seu aspecto geral não visa somente o combate, mas busca conduzir os praticantes a uma reflexão sobre o que se aprende nas aulas e situações da vida cotidiana, sendo que até os dias de hoje prega valores morais como o respeito, a educação e a perseverança.

A palavra Judô é composta por dois idiogramas japoneses, sendo que, “JU” significa agilidade, não resistência, suavidade e “DÔ” significa via, caminho, ou seja, a palavra Judô pode ser traduzida em Caminho Suave. Para Peruca (1996), Judô pode ser traduzido com a frase “Gentileza é mais importante que obstinação”.

No Brasil, as origens do Judô são um tanto quanto obscuras, segundo Santos (1975), o judô chegou ao Brasil por volta da década de 20 por intermédio da colônia japonesa, porém uma outra corrente defende que a luta chegou ao Brasil no início do século XX através de praticantes que se exibiam publicamente em apresentações no norte do país (CALLEJA, 1982). O que se sabe é que o esporte foi crescendo e hoje, além de bons resultados em competições internacionais, agrega um grande número de participantes de idades variadas e ambos os sexos.

Fundamentos técnicos e filosóficos do Judô

O mestre Jigoro Kano instituiu dois fundamentos básicos ao Judô, os quais dão bases para suas estruturas técnicas e filosóficas. Segundo Peruca (1996) estes fundamentos foram se expandindo por todo o mundo e através de uma contínua construção foram se fortalecendo e dando sustentação à luta até os dias atuais. Tais princípios propostos por Kano são assim definidos por Peruca:

Seiryoku-Zenyo: é o princípio caracterizado pela concentração e
máxima utilização de todos os esforços na promoção do
desenvolvimento moral, intelectual, físico e técnico do ser humano.
Consciente de seu potencial, de sua força física e mental, o judoca
aprende com o professor e veteranos de toda a ética e cerimonial
do judô e a sua aplicação na sua prática cotidiana. A busca da
vitória na competição significa o seu fortalecimento espiritual.
Jitakyoei: é o princípio caracterizado pelo desenvolvimento corporal
e formação moral em contínuo processo de interação com a
comunidade. O desenvolvimento individual interagindo com a
comunidade enseja não apenas vivenciar uma intensa felicidade,
como propiciar um conviver harmônico e solidário, fim maior da
filosofia do judô. (1996, p. 65-66).

Ainda que os aspectos filosóficos e técnicos do Judô sejam unidos na luta e indispensáveis um ao outro para o desenvolvimento correto da mesma, para uma melhor compreensão serão explicados separadamente e mesmo na descrição de cada um fica explícito a participação ativa do outro, ou seja, a prática do Judô enquanto exercício físico contempla uma série de aprendizagens que podem ser aplicadas no dia-a-dia dos praticantes.

Em relação a estrutura técnica, há uma busca por movimentos perfeitos a partir do sistema de alavancas e dos vetores de força (MORAES, 2004). O primeiro é explicado através da mecânica corporal, ou seja, uma força ainda que pequena aplicada num determinado ponto específico, resulta na máxima eficiência e o segundo refere-se a lei de ação e reação, sendo que, quanto mais forte o oponente aplica o golpe, proporcionalmente receberá um forte contra golpe.

Virgílio (1986) após conhecimento aprofundado da filosofia do Judô e dos ensinamentos deixados pelo próprio Jigoro Kano, descreve nove princípios que explicam a teoria da luta e direcionam o processo de ensino e a progressão filosófica do Judô. São eles: conhecer-se é dominar-se e dominar-se é triunfar; quem teme perder já está vencido; somente se aproxima da perfeição quem a procura com constância, sabedoria e sobretudo, humildade; quando verificares com tristeza que nada sabes, terás feito teu primeiro progresso no aprendizado; nunca te orgulhes de ter vencido um adversário, ao que venceste hoje, poderá derrotar-te amanhã; o judoca não se aperfeiçoa para lutar, luta para se aperfeiçoar; o judoca é o que possui inteligência para compreender aquilo que lhe ensinam e paciência para ensinar o que aprendeu aos seus semelhantes; saber cada dia um pouco mais, utilizando este saber para o bem é o caminho do verdadeiro judoca; praticar o Judô é educar a mente com velocidade e exatidão, bem como o corpo a obedecer com justeza, o corpo eficiente depende da precisão com que se usa a inteligência.

Estas são as bases para o Judô, e como citado anteriormente, fica transparente como a junção da teoria e da prática formam esta luta com finalidades que visam contribuir com a formação dos alunos. O que se aprende na luta em si, é levado para fora do ambiente prático da mesma e utilizado no cotidiano do aluno, busca-se estimular a reflexão da relação das experiências vividas na prática com as atitudes do dia a dia que influenciam na sociedade.

O Judô na Educação Física Escolar

Os conteúdos propostos para a Educação Física devem proporcionar aos alunos uma reflexão e discussão acerca da prática corporal numa perspectiva transformadora e crítica da realidade. Devemos trabalhar com conteúdos que abordem dimensões conceituais, procedimentais e atitudinais, pois na escola não se ensina apenas conceito e fato, mas também habilidades, técnicas, atitudes, normas e valores.

Na prática pedagógica da Educação Física escolar, devemos analisar e propor uma série de conteúdos que venham condizer com os objetivos da disciplina. Ao citarmos o Judô e propormos a sua aplicação na escola, entendemos que esta luta pode contribuir com o processo de ensino-aprendizagem,
favorecendo o desenvolvimento global da criança.

De acordo com Pina (2005) a dimensão conceitual no Judô pode ser trabalhada juntamente com os alunos no aprofundamento do conhecimento das bases teóricas em que se apóia a prática e a importância dos exercícios que devem ser executados antes dos combates para se evitar lesões e acidentes, a dimensão atitudinal pode abranger instruções acerca da eliminação de estereótipos sociais, disposições favoráveis a autoestima e autovalorização, conscientização do Judô como prática desportiva com grandes virtudes formadoras e a dimensão procedimental engloba a aprendizagem dos exercícios da luta em geral e execuções corretas dos mesmos.

O Mestre Jigoro Kano com seus princípios da formação educacional dos alunos, demonstrou como o trato pedagógico quando bem assimilado, pode dar até mesmo a uma luta, o caráter educativo, com finalidades e objetivos pertinentes ao processo de formação.

Esta modalidade tem como meta principal, a procura de um equilíbrio entre o corpo e a mente em situação de combate. Desta maneira valoriza-se o respeito pelo ser humano, como indivíduo único, o raciocínio e a coordenação motora. É uma modalidade muito completa, já que todo o corpo trabalha formando um desenvolvimento muscular equilibrado. As atividades aplicadas devem ser alegres, divertidas, onde as crianças sintam prazer em praticá-las, o Judô nesta fase deve ser trabalhado de forma gradativa, lúdica, sem cobrança de desempenho ou resultados. O importante é o contato inicial com a modalidade.

Os equipamentos, vestuários e recursos indispensáveis à prática do Judô competitivo, podem ser adaptados para as aulas na escola, que geralmente não disponibilizam tantos recursos. O tatami (piso para o Judô), e o judogui (vestimenta específica) podem ser substituídos por outros materiais que amorteçam as quedas e roupas comuns sem que se perca o objetivo do ensino nas aulas.

Como geralmente ocorre, o professor que trabalha conteúdos esportivos nas aulas de Educação Física, será questionado e até mesmo cobrado pelos alunos para que haja competições, cabe ao professor mediar tais questões e refletir juntamente com os alunos a necessidade desta prática ou não, porém havendo competições, devem ser eventos totalmente educativos, com fins pedagógicos, podendo o professor valer-se delas para reforçar aos alunos a importância de se colocar em prática as atitudes e valores trabalhados nas aulas e avaliar o comportamento dos mesmos para futuras correções de ações que representem hostilidade, raiva, maldade e deslealdade (BAPTISTA, 2003).

O Judô e suas dimensões intelectuais, físicas e morais aplicadas na escola

A relação corpo-educação, por intermédio da aprendizagem significa aprendizagem da cultura, dando ênfase aos sentidos dos acontecimentos e a aprendizagem da história, ressaltando assim a relevância das ações humanas.

Corpo que se educa é corpo humano que aprende a fazer história, fazendo cultura (MOREIRA, 1995). O ensino do Judô propicia o desenvolvimento cognitivo e intelectual nas aulas de Educação Física e oferece meios para um trabalho interdisciplinar das disciplinas que compõe o currículo escolar. Pode ser trabalhado como reflexão sobre problemas relacionadas à luta, tais como: o contexto histórico, a criação das regras e técnicas, a biomecânica, a análise do esporte como cultura regional, nacional e mundial, relações entre sua criação e o processo histórico de uma determinada cultura, modos de vida, evolução, expansão e possibilita ainda uma análise de suas bases biológicas, psicológicas e sociais (BAPTISTA, 2003).

É importante que o professor resgate o judô enquanto manifestação cultural, trabalhando seus aspectos históricos vinculados ao movimento cultural e político que o gerou (COLETIVO DE AUTORES, 1992).

Existe uma preocupação em nunca encontrar um praticante de Judô em brigas de rua, em conflitos com a sociedade (VIRGÍLIO, 1986), tal ensinamento deve ser repassado nas aulas, pois a formação visa uma prática séria e responsável principalmente das crianças, os adultos de amanhã.

Em relação ao desenvolvimento físico-motor, as atividades físicas em geral, melhoram a qualidade de vida das pessoas e sua prática desde criança, propicia uma base para uma posterior prática esportiva especializada ou mesmo, para uma conscientização da importância dos exercícios físicos.

As atividades de Judô propostas para o ensino fundamental sugerem um trabalho lúdico com adequação dos princípios da luta e das necessidades das crianças para um desenvolvimento equilibrado. Ruffoni (2004) descreve que a ludicidade é de fundamental importância para a formação da criança.

Segundo Baptista (2003) a prioridade para crianças de 7 a 9 anos de idade deve ser o desenvolvimento da coordenação e do equilíbrio, a partir dos 10 anos até o início da puberdade, as crianças vão ficando mais fortes e consequentemente o domínio corporal melhora, podendo a partir daí trabalhar atividades que requerem maior orientação espaço-temporal. As técnicas básicas do Judô tais como: rolamentos, quedas, entradas de golpes, imobilizações e a luta propriamente dita, são meios procedimentais que auxiliam no desenvolvimento motor e melhoram as habilidades alunos.

O Judô como componente do conteúdo da Educação Física escolar tem grande poder socializador, além de abordar valores éticos e morais. Desta forma podemos trabalhar através dele conceitos atitudinais como o companheirismo, o espírito de luta, o saber ganhar e perder, o respeito pelas normas estabelecidas.

As aulas são uma excelente oportunidade para que o professor estimule as crianças a refletirem sobre o relacionamento e a preocupação com o próximo, bem como a valorização dos aspectos afetivos e as experiências individuais.

A base filosófica da luta em questão, torna-se evidente no trato educacional da formação moral dos praticantes, deve ser estabelecido um paralelo sobre o que se ensina na prática e a vida cotidiana. O aluno que pratica o Judô aprende que se deve “ceder para vencer”, “ser perseverante”, “cair para se levantar”, dentre outros preceitos que são aplicados na luta e na vida (SHIOZAWA, 1999).

Para Motta & Ruffoni (2007) a luta valoriza a inteligência e o culto à verdade, o desenvolvimento atitudinal desta arte deve ser tão ou mais importante que o objetivo de vencer as lutas, pois da mesma forma que se exercitam os músculos menos desenvolvidos ou mais importantes para a execução de um determinado golpe, também se determinam quais os pontos fracos da personalidade, seja ele o medo, a falta de confiança, a falta de vontade, a angústia, a ansiedade, a falta de controle ou nervosismo e, então, com o mesmo esmero, que se dedica o desenvolvimento e aprimoramento da personalidade. Só assim, pratica-se o verdadeiro conceito de lutas em toda sua extensão e fundamenta sua prática no âmbito escolar.

Conclusão

Um conteúdo tão abragente e rico em saberes como o Judô, pode e deve fazer parte do ensino-aprendizagem nas aulas de Educação Física escolar buscando-se legitimar as diversas possibilidades de aprendizagem que se estabelecem com a consideração das dimensões afetivas, cognitivas, motoras e socioculturais dos alunos.

O Judô, não é somente uma técnica física para o corpo, mas também um princípio filosófico para o fortalecimento do espírito. Princípio esse que pode ser aplicado em todas as fases da vida humana, em todos os desafios, combates e contratempos nas suas atividades, quer sejam esportivas, sociais ou profissionais (MOTTA & RUFFONI, 2007).

O ensino do Judô no âmbito escolar, levando-se em consideração que é um trabalho básico desenvolvido segundo as perspectivas escolares, deve ser aplicado por professores de Educação Física, pois além de embasamentos teóricos e práticos adquiridos na graduação, tem conhecimentos sobre o processo de desenvolvimento maturacional da criança, respeitando assim cada etapa.

Atletas e praticantes da modalidade geralmente apresentam uma boa bagagem prática no que se refere ao treinamento específico, o que não é a proposta a ser aplicada nas aulas de Educação Física escolar.

A proposta do ensino-aprendizagem do Judô se pauta num desenvolvimento globalizado que abrange aspectos físicos, intelectuais e morais e não apenas técnico, com intuito de transformar os alunos não em grandes campeões, mas em verdadeiros homens e mulheres.

______________________
Agradecemos em especial o Professor e Sensei Edson Leonel, que com carinho e atenção
colaborou com nosso trabalho.

Referências Bibliográficas

BAPTISTA, Carlos Fernando dos Santos. Judô da escola a competição.3.ed. Rio de Janeiro: Sprint, 2003.

BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Educação Física, 1997.

CALLEJA, Carlos Catalano. Caderno Técnico-Didático: Judô. Ministério da Educação Cultura, Brasil, 1982.

COLETIVO DE AUTORES, Metodologia do Ensino da Educação Física. São Paulo: Cortez, 1992.

DARIDO, Suraya Cristina. Educação Física na Escola: Questões e Reflexões. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.

MORAES, Fábio Alves. Como os fundamentos filosóficos do Judô têm sido abordados no ensino do “Caminho Suave” na cidade de Goiânia? / Monografia (Graduação em Educação Física) – Universidade Estadual de Goiás, Eseffego. Goiânia, 2004.

MOREIRA, W. W. Perspectivas da educação motora na escola. In: DE MARCO (Org). Pensando a educação motora. Campinas, São Paulo: Papirus, 1995 p.95-120.

MOTTA, Alexandre.; RUFFONI, Ricardo. Lutas na infância: uma reflexão pedagógica. Disponível em http://www.equiperuffoni.com.br. Acesso em: 08/10/2007.

PIÑA, Maria Dolores Jurado. Revista Digital - Buenos Aires - Ano 10 - N° 85 - Junho 2005. Disponível em http://www.efdeportes.com/. Acesso em: 15/09/2007.

PERUCA, Ângelo. Judô: Metodologia da participação. Londrina: Lido, 1996.

RUFFONI, Ricardo. Análise metodológica da prática do Judô. Mestrado em Ciência da Motricidade Humana – Universidade Castelo Branco. Rio de Janeiro, 2004.

SANTOS, Benedito N. A. Judô o Caminho Suave. São Paulo, 1975.

SHIOZAWA, Lhofei. Manual de Judô Nikkei Sport Center. Goiânia, 1999.

VIRGÍLIO, Stalei. A arte do Judô. São Paulo: Papirus, 1986.

A PARÁBOLA DA FAIXA PRETA


A PARÁBOLA DA FAIXA PRETA
                                        (Autor desconhecido)

    Imagine um lutador de artes marciais ajoelhado na frente do mestre sensei, numa cerimônia para receber a faixa preta obtida com muito suor.

    Depois de anos de treinamento incansável, o aluno finalmente chegou ao auge no êxito da disciplina.

    "Antes que eu lhe dê a faixa você tem que passar por outro teste" , diz o sensei.

    "Eu estou pronto", responde o aluno, talvez esperando pelo último assalto da luta. "Você tem que responder à pergunta essencial: qual é o verdadeiro significado da faixa preta?"

    "O fim da minha jornada", responde o aluno, "uma recompensa merecida pelo meu bom trabalho".

    O sensei espera mais. É óbvio que ainda não está satisfeito. Por fim, o sensei fala: "Você ainda não está pronto para a faixa preta. Volte daqui a um ano."

    Um ano depois, o aluno se ajoelha novamente na frente do sensei.

    "Qual é o verdadeiro significado da faixa preta?", pergunta o sensei.

    "Ela significa a excelência e o nível mais alto que se pode atingir em nossa arte." responde o aluno.

    O sensei não diz nada durante vários minutos, esperando. É óbvio que ainda não está satisfeito. Por fim ele fala: " você ainda não está pronto para a faixa preta. Volte daqui a um ano."

    Um ano depois, o aluno se ajoelha novamente na frente do sensei e mais uma vez o sensei pergunta: "qual é o verdadeiro significado da faixa preta?"

    "A faixa preta representa o começo - o início da jornada sem fim de disciplina, trabalho e a busca por um padrão cada vez mais alto." , responde o aluno.

    "Sim. Agora você está pronto para receber a faixa preta e iniciar o seu trabalho!"

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

"(Todo o) judô paulista assina carta de repúdio sobre comportamento do representante da CBJ"

Acessem o link para obter na íntegra a transcrição da Nota de Repúdio do Judô Paulista.

http://judopaulista.uol.com.br/2010_repudio_fpj-cbj_graduacao.pdf

Fonte: Judô Brasil

Flávio Canto desfalca o Brasil no Grand Slam de Tóquio



O meio-médio Flávio Canto (81kg) desfalcará a seleção brasileira de judô no Grand Slam de Tóquio (JPN), que acontece nos dias 11, 12 e 13 deste mês. O medalhista olímpico sofreu um trauma no joelho direito e tem seu retorno aos tatames previsto para a primeira semana de janeiro.

"O Flávio bateu com o joelho durante um treino e a região está muito inchada. Vamos fazer um exame mais detalhado daqui a 15 dias, mas não é um problema grave", explica o médico da seleção brasileira, Breno Schor.

O Brasil já está a caminho de Tóquio e será representado no Grand Slam de Tóquio por Sarah Menezes (48kg), Érika Miranda (52kg), Ketleyn Quadros (57kg), Rafaela Silva (57kg), Mariana Silva (63kg), Mayra Aguiar (78kg), Maria Suellen Altheman (+78kg), Leandro Cunha (66kg), Bruno Mendonça (73kg), Leandro Guilheiro (81kg), Tiago Camilo (90kg), Luciano Corrêa (100kg), Rafael Silva (+100kg) e Daniel Hernandes (+100kg).

O Grand Slam de Tóquio faz parte do Circuito Mundial da Federação Internacional de Judô e conta pontos para o ranking mundial e olímpico da modalidade. A medalha de ouro vale 300 pontos, enquanto a prata garante 180 pontos na lista e o bronze 120.

FONTE: NOTÍCIAS CBJ

XXXII COPA DA AMIZADE DE JUDÔ


O Judô Clube Divinópolis promove no próximo dia 12, a XXXII Copa da Amizade de Judô. Evento bastante conhecido e tradicional em Minas Gerais e que leva muitos atletas aos tatames no evento que encerra a temporada do Clube.

O evento acontecerá nas dependências do Divinópolis Tênis Clube (DTC) que fica situado à Rua Cel. João Notini, 60 no Centro de Divinópolis - MG, à partir das 9h.

O evento está sob organização do Shihan Marçal Perácio Braga (7º Dan) e do Sensei Marçal Júnior (3º Dan).

Este evento é uma grande festa de encerramento para as mais de 400 crianças que participam dos programas sociais mantidos pela Prefeitura de Divinópolis. Estes projetos são destinados a crianças de alto risco social e são desenvolvidos em áreas de alto índice de criminalidade e já afastou muitos do mundo das drogas.

Lembramos que Divinópolis sediará duas importantes competições em 2011, a seletiva nacional para o Pan-Americano pré (sub 13) e infanto juvenil (sub 15) nos dias 25 e 26 de março de 2011 e o Pan-Americano de Judô Pré e Infanto Juvenil que acontecerá nos dias 10 a 12 de junho de 2011 sob a chancela da Unión Panamericana de Judo (UPJ). A cidade tem se tornado referência nas categorias com os trabalhos desenvolvidos pelo Shihan Marçal Braga, Sensei Marçal Júnior e pelo Preparador Físico Prof. Marcelo Vaz.

Desejamos sucesso a todos!




segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Confira a lista dos atletas convocados para a seletiva Londres 2012

Comissão técnica da Confederação Brasileira de Judô divulgou nesta segunda-feira a lista dos atletas que disputarão a primeira e a segunda fase do processo seletivo Londres 2012, que visa a formação da seleção brasileira. A primeira fase da seletiva será realizada em São Paulo, no dia 29 de janeiro. A segunda etapa acontecerá em março. Na lista divulgada, também estão os atletas pré-classificados para a segunda seletiva.


Garantiram vaga na primeira fase da seletiva o campeão do Brasileiro Sênior, campeão do Troféu Brasil 2010, Brasileiro Sub 20 2010, Brasileiro Sub 23 2010, o atleta titular da seleção do Campeonato Mundial Sub 20 2010, além de indicação da Comissão Técnica da CBJ. Nesta primeira fase do processo seletivo, classificam-se dois atletas.


MASCULINO


60kg
Breno Alves (SP)
2ª seletiva


Felipe Kitadai (SP)
2ª seletiva


Allan Kuwabara  (SP)
Classificado
1º Mundial Jr


Daniel Moraes (MG)
Classificado
1º Sub 23 e 1º Brasileiro sênior


Ivan  Sabino  (SP)
Indicação


Eric Takabatake (SP)
Indicação


Phelipe André Pelim (SP)
Indicação




66kg
Leandro Cunha (SP)
2ª seletiva


Alex Wilian Pombo (SP)
2ª seletiva


Vinícius Sakamoto (DF)
Classificado
1º Mundial Jr


João Pedro Macedo (SP)
Classificado
1º Brasileiro Jr


Marcos Seixas (MG)
Classificado
1º Sub 23


Alexandre Lee (SP)
Classificado
1º troféu Brasil


Adriano Araujo (RJ)
Classificado
1º Brasileiro Sênior


Charles Chibana (SP)
Indicação


Ricardo Ayres (RJ)
Indicação


Luis Revite (SP)
Indicação




73kg
Bruno Mendonça (SP)
2ª seletiva


Marcelo Contini (SP)
2ª seletiva


Lucas Almeida (DF)
Classificado
1º Mundial Jr


Igor Pereira (RJ)
Classificado
1º Brasileiro Jr


Tiago Cuissi (SP)
Classificado
1º Sub 23


Carlos Alberto Luz (SP)
Classificado
1º Troféu Brasil


Leonardo Ferreira Luz (SP)
Classificado
1º Brasileiro Sênior


Vitor Penalber (RJ)
Indicação


Felipe Amaro Braga (RS)
Indicação


Moacir Jr (RS)
Indicação


81kg
Nacif Elias (MG)
2ª seletiva


Flávio Canto (RJ)
2ª seletiva


Leandro Guilheiro (SP)
2ª seletiva


Guilherme Cordeiro (RJ)
Classificado
1º Mundial Jr


João Dallagassa (PR)
Classificado
1º Brasileiro Jr


Danilo Gonçalves (SP)
Classificado
1º Sub 23


Felipe Costa (SP)
Classificado
1º Troféu Brasil


Guilherme Luna (RS)
Classificado
1º Brasileiro Sênior


Maicon França (BA)
Indicação


Rodrigo Rocha (RJ)
Indicação




90kg
Hugo Pessanha (MG)
2ª seletiva


Tiago Camilo (SP)
2ª seletiva


Bruno Altoé (BA)
Classificado
1º Mundial Jr


Bruno K. Ferreira (SP)
Classificado
1º Brasileiro Jr


Bruno Ferreira (RJ)
Classificado
1º Sub 23


Rodrigo Luna (RS)
Classificado
1º Troféu Brasil e 1º Brasileiro Senior


Eduardo Santos (RS)
Indicação


Felipe Cesar Oliveira (SP)
Indicação




100kg
Luciano Corrêa (MG)
2ª seletiva


Leonardo Leite (RJ)
2ª seletiva


Jonas Inocêncio (SP)
Classificado
1º Mundial Jr


Felipe Brito (PR)
Classificado
1º Brasileiro Jr


Rafael Buzacarine (SP)
Classificado
1º Sub 23


Renan Nunes (RS)
Classificado
1º Troféu Brasil


Takashi Haguihara Jr (GO)
Classificado
1º Brasileiro Sênior


Alex Aguiar (SP)
Indicação


+100kg
Daniel Hernandes (SP)
2ª seletiva


Walter Santos (RS)
2ª seletiva


Rafael Carlos da Silva ( SP)
2ª seletiva


Daniel P. Sousa (SP)
Classificado
1º Mundial Jr


Luiz Eduardo Carmo (SP)
Classificado
1º Sub 23


Leandro Gonçalves (SP)
Classificado
1º Brasileiro Sênior


João Gabriel Schilltler
Indicação


David Moura (MT)
Indicação


Guilherme Martins (RJ)
Indicação


Gabriel Santos (MG)
Indicação




FEMININO


48kg
Sarah Menezes (PI)
2ª seletiva


Taciana Rezende (RS)
2ª seletiva


Nathália Brigida (MG)
Classificada
1ª Mundial Jr


Mayara Silva (RS)
Indicação


Tamires Silva (SP)
Indicação


Catiere Toledo (SP)
Indicação


Cristiane Pereira (RJ)
Indicação


Daniela Polzin (RJ)
Indicação


52kg
Érika Miranda (MG)
2ª seletiva


Andressa Fernandes (SP)
2ª seletiva


Eleudis Valentim (SP)
Classificada
1ª Mundial Jr


Milena Mendes (SP)
Classificada
1ª Brasileiro Jr


Mayra Gabrielle (MG)
Indicação


Jessica Pereira (RJ)
Indicação


Raquel Lopes (RJ)
Indicação


57kg
Rafaela Lopes (RJ)
2ª seletiva


Ketleyn Quadros (MG)
2ª seletiva


Giullia Penalber (RJ)
Classificada
1ª Sub 23


Flávia Rodrigues (SP)
Classificada
1ª Brasileiro sênior


Josiane Falco (SP)
Indicação


Amanda Ribas (MG)
Indicação


Mariana Barros (SP)
Indicação


Ana Grincevicus (MS)
Indicação


63kg
Mariana Silva (SP)
2ª seletiva


Camila Minakawa (SP)
2ª seletiva


Fernanda Peinado (SP)
Classificada
1ª Mundial Jr


Manoela Braga (RS)
Classificada
1ª Brasileiro Jr


Barbara Timo (RJ)
Classificada
1ª Troféu Brasil


Amanda  Oliveira (PB)
Classificada
1ª Brasileiro Sênior


Laisa Santana (RJ)
Indicação


Danielli Yuri (SP)
Indicação


Katherine Campos (RJ)
Indicação


Karina Oliveira (RJ)
Indicação


70kg
Maria Portela (SP)
2ª seletiva


Helena Romanelli (MG)
2ª seletiva


Nadia Merli (SP)
Classificada
1ª Mundial Jr


Yasmin Valverde (RJ)
Classificada
1ª Sub 23


Glaucia Lima (SP)
Indicação


Nikelli Rossi (SC)
Indicação


Caroline Cunha (RJ)
Indicação


Natália Bordginon (RS)
Indicação


Hayssa Santos(PI)
Indicação


78kg
Mayra Aguiar (RS)
2ª seletiva


Déborah Almeida (RJ)
2ª seletiva


Pamela Ventura (SP)
Classificada
1ª Brasileiro Jr


Steffani Luppetti (SP)
Classificada
1ª Sub 23


Ericka Wergles Cunha (RJ)
Indicação


Samanta Soares (SP)
Indicação


Rosangela Moraes (SC)
Indicação


+78kg
Maria Suellen Althaman (SP)
2ª seletiva


Rochele Jesus Nunes (RS)
2ª seletiva


Claudirene Cesar (SP)
Classificada
1ª Brasileiro Sênior


Aline Puglia (SP)
Indicação


Rafaela Nitz (RS)
Indicação

FONTE: NOTÍCIAS CBJ

Victor Penalber é bronze na Copa do Mundo da Coréia


Foram dois anos longe dos tatames por suspensão por doping pelo uso de diurético e, apenas 22 dias depois do retorno, o brasileiro Victor Penalber (73kg) voltou a subir no pódio de um evento internacional. Nesta sexta-feira, na Copa do Mundo de Suwon, na Coréia do Sul, Victor faturou com a medalha de bronze. O torneio conta pontos para o ranking olímpico e mundial da modalidade.

Para ficar com a medalha de bronze, Victor Penalber, atleta que faz parte do projeto Time Rio, do Comitê Olímpico Brasileiro, fez uma campanha de cinco lutas, com quatro vitórias por ippon e uma derrota.

Na primeira rodada, Victor venceu o argentino Alejandro Clara, depois passou pelo chinês Chi Hang Wu. Na terceira luta, foi parado pelo sul-coreano Ki-Chun Wang, vice-campeão olímpico e bicampeão mundial, com um wazari. Pela repescagem, o brasileiro venceu o eslovaco Martin Zagorov e, na disputa do bronze, bateu o chinês Liu Wei.

A Copa do Mundo da Coréia é o segundo evento que Victor Penalber disputa após o gancho de dois anos. O retorno aconteceu na última semana no Grand Prix de Abu Dhabi. Na ocasião Victor ficou com a quinta colocação.

Aos 20 anos, Victor Penalber surgiu no cenário internacional em 2007, quando conquistou a medalha de bronze na Copa do Mundo de Belo Horizonte. No mesmo ano, foi vice-campeão mundial por equipes na China. Em 2008, Victor representou o Brasil no Campeonato Pan-Americano de Miami e ficou com a medalha de ouro, além de ser bronze no Campeonato Mundial Sub 20 na Tailândia.

RESULTADOS:
-60 kg:1. Gwang-Hyeon Choi, KOR
2. Tumurkhuleg Davaadorj, MGL
3. Boldbaatar Chimed-yondon, MGL
3. Won-Jin Kim, KOR
5. Sergio Pessoa, CAN
5. Hirofumi Yamamoto, JPN
7. Nabor Castillo, MEX
7. Toru Shishime, JPN
-66 kg:1. Dan Gheorghe Fasie, ROU
2. Jun-Ho Cho, KOR
3. Renwang Liu, CHN
3. Tomofumi Takajo, JPN
5. Jeong-Hwan An, KOR
5. Colin Oates, GBR
7. Bo-Bae Hwang, KOR
7. Sasha Mehmedovic, CAN

73 kg:
1. Ki-Chun Wang, KOR
2. Won-Jung Kim, KOR
3. Hwan Ku, KOR
3. Victor Penalber, BRA
5. Wei Liu, CHN
5. Nicholas Tritton, CAN
7. Adriano Santos, BRA
7. Martin Zagorov, SVK
48 kg:1. Urantsetseg Munkhbat, MGL
2. Seung-Min Shin, KOR
3. Jung-Yeon Chung, KOR
3. Qinqin Mo, CHN
5. Oiana Blanco, ESP
5. Nataliya Kondrateva, RUS
7. Carmen Bogdan, ROU
7. Liudmila Bogdanova, RUS
52 kg:1. Yuki Hashimoto, JPN
2. Laura Gomez, ESP
3. Solongo Baatarsaikhan, MGL
3. Eun-Hyae Lee, KOR
5. Sophie Cox, GBR
5. Kalpana Devi Thoudam, IND
7. Lucie Chytra, CZE
7. Natalia Sinitsyna, RUS

57 kg:
1. Corina Oana Caprioriu, ROU
2. Gemma Howell, GBR
3. Sumiya Dorjsuren, MGL
3. Jan-Di Kim, KOR
5. Andreea Stefania Chitu, ROU
5. Battugs Tumen Od, MGL
7. Morgane Ribout, FRA
7. Guirong Zhu, CHN
63 kg:1. Lili Xu, CHN
2. Da-Woon Joung, KOR
3. Vera Koval, RUS
3. Miku Tashiro, JPN
5. Ja-Young Kong, KOR
5. Marta Labazina, RUS
7. Leilani Akiyama, USA
7. Nyamjargal Mungunshagai, MGL

FONTE: NOTÍCIAS CBJ